Associação dos Amigos de Alto dos Pinheiros.

Os estudos do projeto de uma linha do metrô que passará próximo a Alto dos Pinheiros deverão ficar prontos no ano que vem. Porém, no estágio atual, preveem um traçado que ignora locais de fluxo maior e prejudica regiões predominantemente residenciais. Nosso bairro não será diretamente afetado, mas a SAAP aderiu ao movimento de associações de moradores contra o projeto, por entender que ele tem falhas claras.

A obra em questão é a Linha 20 Rosa do metrô, que começará na Lapa e passará por Pinheiros, Itaim Bibi, Vila Olímpia, Moema, São Judas e Cursino, além de São Bernardo do Campo, chegando a Santo André. São mais de 30 quilômetros, boa parte deles cortando bairros que recebem fluxo intenso de veículos. A previsão é que, quando estiver ativa, transporte 1,3 milhão de passageiros.

Não há dúvidas, portanto, de que se trata de um empreendimento de enorme importância. Nenhuma associação de moradores discorda da construção da linha – ao contrário: todas a consideram muito bem-vinda.

O ponto de discordância é uma parte do trajeto, justamente a que passa próximo à avenida Faria Lima. A Associação dos Moradores dos Jardins (AME JARDINS) tem liderado o movimento de protesto – com apoio da SAAP. É que o trajeto inicial da Linha Rosa passava pela estação Faria Lima, fazia interligação com a Linha Amarela no Largo da Batata; depois, seguia sob a Faria Lima, com nova estação no cruzamento da Rebouças com a Faria Lima. Trata-se de uma rota, portanto, que atendia um trecho de alta demanda, próximo a vários prédios de escritórios onde trabalham milhares de pessoas.

No entanto, o traçado original foi alterado diversas vezes. Até pouco tempo, previa-se uma estação entre as ruas Virgílio de Carvalho Pinto e Joaquim Antunes. Agora, o plano é construí-la perto do Cemitério São Paulo, com desapropriação de vilas em Cerqueira César. Com o traçado, no Jardim Paulistano as obras avançariam sobre uma vila cheia de árvores considerada Zona Especial de Preservação Cultural, sobre trechos de zona estritamente residencial e sobre área tombada, segundo a AME JARDINS. 


É preciso levar em conta também que, pelas regras do zoneamento, a nova estação iria liberar a construção de prédios de até 40 andares num raio de 600 metros — ou seja, haveria pressão futura para casas e pequenos prédios sejam substituídos por edifícios maiores, ou serem vizinhos de muro desses espigões.

A alteração, avalia a AME Jardins, “contraria princípios básicos de planejamento urbano, mobilidade sustentável e uso racional de recursos públicos”. Também “compromete a eficácia do projeto, ao desviar a linha de um dos principais eixos de movimentação da cidade”.

A SAAP, como as demais organizações que aderiram ao movimento, espera que o Metrô considere os argumentos técnicos, urbanísticos e sociais dos moradores e retome o traçado original.

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