
O trânsito cada vez mais frenético das grandes cidades, a construção de centenas de prédios em áreas antes ocupadas por casas, a proliferação de bares e restaurantes com mesas nas calçadas, as caixas de som facilmente acionadas por celular, o aumento dos voos em Congonhas – são muitos os fatores que vêm contribuindo para o crescimento da poluição sonora em São Paulo.
Por que ruídos são um problema
Um levantamento do portal G1 mostrou que, só de janeiro a maio, a Polícia Militar atendeu mais de 100 mil chamados relacionados a perturbação do sossego público. De janeiro a julho, o programa PSIU, da Prefeitura de São Paulo, registrou quase 25 mil protocolos.
A Organização Mundial da Saúde considera o ruído um agente que mata silenciosamente – no sentido de que, sem se perceber, agrava diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e renais, entre outras. Esse problema foi destacado pelo pesquisador Marcelo de Mello Aquilino, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) numa apresentação recente ao Conselho Regional de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz da Subprefeitura Lapa (Cades Lapa).
Como a sociedade civil tem reagido
Associações de moradores se rebelarem contra excesso de ruído não é algo novo, principalmente em bairros onde bares e residências coexistem. A própria SAAP tem manifestado preocupação com o som alto proveniente de alguns eventos do parque Villa-Lobos e participa regularmente de reuniões entre sociedade civil e setor aéreo para debater maneiras de reduzir o impacto do barulho dos aviões que saem e chegam a Congonhas.
Mas algumas iniciativas recentes dão margem a otimismo:
- A reação do Ministério Público contra a lei que livra shows e grandes eventos de obedecerem a limites de emissão de ruídos.
- A criação da Frente Cidadã pelaDespoluição Sonora da Cidade de São Paulo, formada por moradores das imediações da avenida Paulista, do estádio Allianz Parque, do parque da Água Branca, do Instituto Butantan e do Vale do Anhangabaú.
- A palestra no Cades Lapa apresentada por pesquisadores do Laboratório de Conforto Ambiental, Eficiência Energética e Instalações Prediais da Unidade Técnica de Habitação e Edificações, do IPT.
A SAAP mantém-se atenta ao tema. Ainda que nosso bairro seja predominantemente residencial, há pressões crescentes para mudanças que, entre outros efeitos, gerariam mais poluição sonora. Nosso trabalho tem sido lutar para que os limites atuais sejam respeitados.












