
Uma mudança no zoneamento da Marginal Pinheiros, no trecho ao lado de Alto dos Pinheiros, pode piorar a qualidade de vida no bairro. A alteração permite construir prédios de até 48 metros de altura, mesmo quando colados a imóveis residenciais. Trata-se de uma medida que afeta não apenas casas vizinhas aos edifícios que venham a ser construídos: ela impõe uma ruptura profunda no dia a dia de quem vive aqui: deteriora o trânsito, sobrecarrega a infraestrutura, aumenta o risco de alagamentos e prejudica o meio ambiente.
Apoie o abaixo-assinado e proteja o caráter residencial de Alto dos Pinheiros
O que mudou no zoneamento da Marginal Pinheiros?
No final de 2023, numa votação de última hora, a Câmara dos Vereadores aprovou e o prefeito Ricardo Nunes sancionou uma modificação no zoneamento da Marginal (av. Ruth Cardoso) entre as avenidas Professor Frederico Hermann Jr. e Arruda Botelho. O trecho era uma Zona Corredor, que permite prédios de até 10 metros de altura; passou a ser uma Zona de Centralidade, que permite prédios de até 48 metros. Assim, num mesmo quarteirão, o lado da Marginal poderá ter esses edifícios enormes, mesmo que sejam vizinhos de muro de uma residência. Na avaliação da SAAP isso atropela o princípio de que a transição entre diferentes classes de zoneamento (gabarito) deve ser gradual.
A mudança prejudicaria apenas os imóveis vizinhos?
Não. Esses certamente vão sofrer mais, mas o impacto é mais amplo: atinge todo o território de Alto dos Pinheiros — construído ao longo de décadas tendo como base a qualidade de vida, o equilíbrio ambiental e o convívio comunitário.
Quais são os impactos para o bairro?
- Trânsito mais intenso: Mais prédios significam mais pessoas e mais veículos. As ruas de Alto de Pinheiros — e mesmo as avenidas — não foram projetadas para receber um grande volume de carros, motos, ônibus e caminhões.
- Abertura para usos não residenciais: O zoneamento afrouxado atrai para o bairro atividades incompatíveis com uma área estritamente residencial
- Perda de luz do sol e de ventilação: Blocos de prédios formam uma barreira de sombra que se estende por mais de um quarteirão, com efeitos de diversos tipos. O canteiro de plantas, o varal de roupas, a luz natural do escritório — muita coisa seria afetada. Também a ventilação dessas áreas pode piorar.
- Danos ambientais: Estes seriam decorrência do impacto citado acima. Com mudança na incidência solar e na circulação de ventos, a fauna e a flora de áreas verdes consolidadas há décadas podem sofrer.
- Riscos de alagamentos: Se casas com quintais derem lugar a empreendimentos de 48 metros, aumenta a área impermeabilizada. Numa região bem próxima ao rio, com lençol freático elevado, isso agrava a possibilidade de cheias.
- Sobrecarga da infraestrutura: Redes de esgoto, de drenagem, de energia elétrica, asfalto, calçadas — quase nada disso, em Alto dos Pinheiros, foi construído para aguentar um grande volume de pessoas trabalhando ou transitando no bairro.
- Perda de privacidade e de sossego: A proliferação de edifícios de 15 a 20 andares significa janelas e mais janelas voltadas para quintais, quartos, salas… Uma verticalização desordenada ignora completamente a privacidade dos moradores e gera muitos anos de barulhos e incômodos.
A SAAP, então, é contra o desenvolvimento urbano?
De forma alguma. Somos contra o desrespeito. O crescimento da cidade deve ser planejado e gradual. A mudança de zoneamento da Marginal resultaria em um adensamento abrupto, desrespeita a transição de escala, a harmonia paisagística e a estrutura urbana existente. Ela prejudica a preservação de um bairro que cumpre função ambiental relevante para São Paulo e abre precedentes perigosos para toda a cidade.












