
Prestes a completar quatro anos de concessão, os parques Villa-Lobos e Candido Portinari estão sendo tomados por eventos de acesso restrito e espaços permanentes de exploração comercial. Com isso, o público perde áreas abertas, de livre circulação.
Um levantamento da SAAP com informações do Conselho Gestor dos parques mostrou que, entre setembro de 2024 e novembro de 2025, em dois terços dos finais de semana houve indisponibilidade de determinadas zonas para os frequentadores não pagantes. Alguns projetos chegaram a tomar mais de 20 mil metros quadrados — como o SP Gastronomia, que ocupou 55 mil². “Várias áreas ficam indisponíveis para as pessoas por muito tempo, algo que não deveria ocorrer num local público”, critica a diretora de Sustentabilidade da SAAP, Claudia Visoni. “O que temos visto é um uso intensivo dos espaços públicos para fins predominantemente comerciais.”
Por que os espaços ficam restritos?
Isso acontece de diversos modos:
- Cobrança de ingresso
- Exigência de inscrição prévia
- Exigência de contribuição
- Eventos exclusivos para convidados
- Fechamento por tapumes ou cercas, durante a fase de montagem e desmontagem
- Fechamento durante a semana, em atrações que só funcionam no sábado ou no domingo
Por quanto tempo os espaços ficam restritos?
Varia de acordo com o perfil do projeto.
- Permanentemente: Há quatro ocupações desse tipo nos parques, atualmente: Heineken House, Orla Total Pass (que tem restaurante, academia e parte das quadras pagas), Família no Parque (com brinquedos infláveis pagos) e Arena BR (que cobra pelo uso de quadras de grama sintética). Somados, eles tomam 39.750 m².
- Por mais de dois meses: No período analisado pela SAAP, os eventos de maior duração (incluindo montagem e desmontagem) foram WTA Tennis International (179 dias), Cirque du Soleil (73 dias), NBA House (70 dias), Vila de Natal (68 dias) e Taste (63 dias).
- Por mais de um mês: É o período médio dos eventos de grande porte. Foram os casos de São João de São Paulo (59 dias), SP Gastronomia (54 dias) e Oktoberfest (50 dias).
- Menos de um mês: Nos meses analisados, a SAAP detectou 55 eventos desse tipo. A maior parte (21) durou pouco mais de 20 dias.
E os eventos abertos?
Os poucos eventos de entrada livre e gratuita são, em geral, ativações de marketing. Assim, restam duas opções para os frequentadores: pagar ingresso ou ficar exposto a atividades predominantemente comerciais. Houve exceções — alguns exemplos de entretenimento gratuito e cultural que gostaríamos de ver com mais frequência, como o Juntas Festival, o Festival BB Seguros de Blues e Jazz e a Bienal do Lixo.












