Associação dos Amigos de Alto dos Pinheiros.



Sob risco de perder a concessão de distribuição de eletricidade na Grande São Paulo, a Enel apresentou, no início de outubro, seu Plano Verão. No evento, a empresa afirmou ter contratado 1.400 funcionários e injetado recursos para reduzir o tempo médio de atendimento e prevenir cortes de energia.

Os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que, em 2025, a Enel SP demorou em média 434,26 minutos (pouco mais de sete horas) para atender uma emergência. O tempo é o menor registrado pela empresa desde 2018 e fica ligeiramente abaixo da média nacional (435,76). No primeiro semestre de 2026, a espera foi de 315 minutos, contra 438 da média nacional. Nos primeiros seis meses do ano passado, a Enel era a 19ª no ranking desse indicador; neste ano, a 7ª.

Segundo a concessionária, desde 2024 — um ano depois de os índices serem os piores do período —, foram investidos R$ 10,4 bilhões em tecnologias de rede, novas conexões e manutenção. A empresa afirma também estar aumentando as podas: 639 mil em 2024 e 651 mil em 2025. De janeiro a julho deste ano, 369 mil — mas há 409 mil planejadas até dezembro.

Outras medidas previstas ainda para 2026 são substituir até 500 árvores, reformar 100 quilômetros da rede de média tensão, instalar 2.600 equipamentos de controle à distância e 3.300 religadores.

Em Alto dos Pinheiros, a Enel vinha fazendo um trabalho sofrível até anos atrás. Em vários momentos a SAAP fez reuniões com a concessionária e organizou um abaixo-assinado para cobrar melhorias. Em 2024, temporais de outubro deixaram algumas casas sem eletricidade por mais de três dias. Naquele ano, porém, a empresa lançou um plano-piloto que englobava nosso bairro. Os investimentos na nossa região foram de R$ 17 milhões.

A SAAP considera que a situação melhorou. Se a melhoria é suficiente para evitar que a Enel perca a concessão, é algo que cabe à Aneel e à Justiça avaliar. As mudanças climáticas são uma realidade e exigem, do setor privado e do setor público, patamares mais elevados de qualidade e eficiência. O que sempre cobramos, e sempre cobraremos, é que a distribuição de eletricidade seja interrompida o mínimo possível e que as medidas de prevenção não transformem as árvores de Alto dos Pinheiros em tocos ou arbustos que pouco contribuem para o clima.

Veja também...