20 de dezembro de 2013

Quem é quem na região – Ame Jardins

Gazeta de Pinheiros, 20/12/2013

Associação luta pela conservação dos bairros verdes

Associação teme que flexibilidade em áreas do entorno permita entrada de empreendimentos nos Jardins / Grupo 1 de Jornais
Associação teme que flexibilidade em áreas do entorno permita entrada de empreendimentos nos Jardins / Grupo 1 de Jornais
Em meio à adensada região de Pinheiros sobrevivem ao longo das décadas os bairros-jardins, conhecidos pelos paulistanos por suas casas elegantes e ruas arborizadas. Estes espaços foram desenvolvidos a partir dos anos 20 pela Companhia City e apesar de ainda preservados, sofrem com a constante ameaça dos avanços da metrópole. Para manter as características iniciais dos bairros, surgiu em 2005 a Associação de Moradores dos Jardins, ou simplesmente AME Jardins. A entidade representa os moradores dos Jardins América, Paulista, Paulistano e Europa, além da Vila Primavera.Em entrevista à Gazeta de Pinheiros – Grupo 1 de Jornais, o advogado e diretor-executivo da AME Jardins, João Maradei, comentou os últimos trabalhos da entidade e como ela se organiza para sensibilizar moradores sobre a importância de se preservar a região.

Gazeta de Pinheiros – Como você ingressou na AME Jardins?

João Maradei – Antes de ingressar na AME Jardins, fui chefe de gabinete da Subprefeitura de Pinheiros e gerente da Avenida Paulista. Com o reconhecimento do trabalho que era voltado à fiscalização das concessionárias e à conscientização dos moradores sobre a importância de se cuidar da avenida, acabei convidado para integrar a AME Jardins.

GP – Quais são os principais trabalhos que a AME Jardins desenvolve?

JM – Prezamos principalmente pela manutenção da característica residencial dos bairros que compõem a região, que tem sua qualidade de vida afetada por diferentes motivos: trânsito, insegurança e uso e ocupação do solo de maneira indevida.

João Maradei: diretor-executivo da AME Jardins, em vista à Gazeta / G1J

João Maradei: diretor-executivo da AME Jardins, em vista à Gazeta / G1J

 

GP – Qual a posição da AME Jardins quanto ao novo Plano Diretor?JM – Queremos a preservação das áreas estritamente residências, assim como o entorno delas. Isso porque quando há flexibilidades em excesso ao redor dos bairros-jardins, há possibilidade de que estes sejam modificados.A Prefeitura afirma que não tem interesse em alterar as zonas estritamente residenciais, mas notamos que há outros artigos no projeto que dão margem para que empreendimentos gigantescos entrem nos bairros.

Caso não seja bem executado, o adensamento próximo aos corredores de ônibus permitirá que novas construções venham a penetrar gradualmente o perímetro formado pela Rua Estados Unidos e pelas avenidas Brigadeiro Faria Lima, Brasil e 9 de Julho. Já há casos deste tipo de invasão. Na Rua Irlandino Sandoval, por exemplo, os moradores conseguiram barrar um empreendimento na Justiça.

Outra característica da região que pode ser afetada pelo Plano Diretor é quanto ao meio ambiente. Os Jardins têm muitas praças e ruas arborizadas, que beneficiam a qualidade ambiental da cidade como um bolsão-verde. É notável a mudança de temperatura quando alguém sai da região da Avenida Paulista, por exemplo, e chega aos Jardins, onde o clima é ameno. Portanto, é errado pensar que novos empreendimentos devam ser liberados no entorno dos Jardins. Caso isso aconteça, a cidade é que sairá perdendo.

Além disso, a região tem bairros de relevância histórica para a cidade. O Jardim América, por exemplo, é o primeiro bairro-jardim do País.

Para AME Jardins, adensamento em eixos de transporte como a Av. Brig. Faria Lima precisa ser revisto no Plano Diretor  / G1J

Para AME Jardins, adensamento em eixos de transporte como a Av. Brig. Faria Lima precisa ser revisto no Plano Diretor / G1J

 

GP – Qual dos últimos projetos vale a pena ser destacado?JM – O projeto do mapeamento de árvores. Tudo começou em 2007, quando apresentamos o projeto ao IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas]. Foi realizado um levantamento prévio e constatado que 2,2 mil árvores em vias públicas mereciam uma atenção especial devido à saúde comprometida. Porém, o estudo ficou em R$ 550 mil para ser viabilizado, um valor que não tínhamos condições de bancar.Então, em 2010 durante conversa com um dos diretores da AES Eletropaulo sobre queda de árvores na região, a empresa se interessou em financiar o trabalho, já que o fornecimento de energia era afetado diretamente pelo problema.

Já em 2011, o IPT começou a vistoriar a região, identificando a interferência das redes elétricas nas árvores. O trabalho foi concluído em agosto de 2012, com 333 exemplares que deveriam ser removidos em caráter de urgência. Hoje os serviços de remoção e plantio são realizados pela Prefeitura com base nestes dados, com diferentes níveis de alerta sobre o estado das árvores.

GP – Quais são as principais dificuldades na AME Jardins?

JM – Alguns moradores dos Jardins, principalmente do América e Europa, não se mobilizam, não participam tanto das iniciativas que promovemos. Há um pouco de dificuldade em desenvolver o sentimento de “pertencer ao bairro”, principalmente naqueles moradores que são empresários e têm a vida muito voltada ao mundo corporativo. No, entanto, esse pensamento já mudou consideravelmente.

Por outro lado, esta dificuldade já não acontece com tanta frequência no Jardim Paulista e no Jardim Paulistano, onde nossas ações têm muito apoio dos moradores. Para se ter uma ideia, a maioria das parcerias que conseguimos para conservação de praças foi firmada nestes bairros por conta do envolvimento dos seus moradores. Temos públicos diferentes dentro de uma mesma associação.

GP – Quais as vantagens de uma associação contar com um diretor-executivo profissional?

JM – O conhecimento do fluxo de trabalho no poder público facilita muito o trabalho da entidade. Isso porque o morador muitas vezes desconhece o trâmite e faz confusões sobre a qual órgão devem encaminhar a demanda. Não basta redigir um ofício sobre uma árvore com problemas e enviar à administração municipal, pois assim como esta requisição há outras na região. Agora, se este documento foi feito de uma maneira mais profissional, com fotos e detalhes a solução será mais rápida. É preciso também cobrar os órgãos públicos depois.

Para se realizar um bom trabalho é preciso também uma boa assessoria de comunicação para que as ações sejam divulgadas entre os moradores e para que a entidade esteja sempre na mídia. Esse aspecto facilita a busca de parcerias para eventuais projetos.

Acredito que a AME Jardins seja uma entidade pioneira nesta função. Nosso modelo de gestão é procurado por diferentes bairros de São Paulo, com Pompeia, Paraíso e Itaquera.

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