19 de julho de 2018

Um dos bairros mais valorizados de SP, Alto dos Pinheiros já teve terrenos com prestações no valor de uma passagem de ônibus

Alguns dos bairros mais conhecidos de São Paulo —Alto dos Pinheiros é um deles — foram planejados pela Cia. City, que se baseou no conceito “cidade-jardim” para criá-los. Na primeira metade do século passado, quando esses lugares ainda eram extensos terrenos cercados de mato, a empresa adotou o financiamento dos loteamentos como estratégia para atrair compradores. Se a ideia não era nova, nunca tinha sido feita naquela escala, muito menos oferecendo condições tão vantajosas.

Um dos benefícios oferecidos aos novos proprietários era um desconto de 10% caso a construção da casa começasse em até 60 dias após o fechamento do negócio. Também era pedido uma entrada de apenas 10% do valor total, sendo o restante cobrado mensalmente. E as parcelas eram fixas.

A fixação dos valores não era um problema num cenário de inflação baixa, como no período entre meados da década de 1940 e 1950. Mas a situação mudou a partir de 1960, e as mensalidades foram se tornando insignificantes diante da aceleração do índice de preços.

Mas insignificantes quanto? Alguns dos moradores de Alto dos Pinheiros dão a medida. “Ganhei o terreno onde construí minha casa do meu pai. Tinha sido comprado pelo meu avô direto da Cia. City, em 1948, para ser pago em 20 anos. Para você ter uma ideia, as últimas prestações, que foram lá por 1967, eram equivalentes a mais ou menos o preço de uma passagem de ônibus”, lembra-se Roberto Vidigal.

Já o terreno de Carlos Maurício Schutt foi um presente de sua mãe. Ele conta que, “com a inflação, aquele valor mensal se deteriorou paulatinamente, e a City não podia aumentar – era contratual. No final, eu ia à empresa duas vezes por ano, pagava seis meses em março, e, em setembro, pagava outros seis meses. Ficou irrisório.”

Marcos Vidigal, por sua vez, nem precisou mais se preocupar com as parcelas que faltavam. “A prestação que eu pagava era tão baixa, por causa da inflação, que não compensava para o banco receber o dinheiro. A dívida foi cancelada a pedido do próprio banco.”

E assim eram pagos antigamente os terrenos num dos metros quadrados mais valorizados da cidade. Essa é apenas uma das histórias do nosso bairro contadas no livro sobre Alto dos Pinheiros que a SAAP irá lançar em setembro. Aguarde!

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