
Já há alguns anos a SAAP vem alertando os moradores sobre a importância de trocarem seus controles de portão eletrônico por versões mais novas, que evitem clonagens. Mas o assunto voltou a ganhar força neste mês, quando a Polícia Militar prendeu suspeitos de fazerem parte de uma quadrilha especializada em usar controles clonados para roubar condomínios e edifícios.
O que pode ser feito para evitar esse tipo de assalto? Como saber se seu controle é seguro? Fizemos essas e outras perguntas a Eliton Breves, diretor da empresa de segurança comunitária EMG CLOUD, responsável pela gestão das câmeras da SAAP. Leia abaixo os principais trechos da conversa.
Como os criminosos conseguem clonar o sinal do controle?
Eles usam principalmente dois tipos de equipamento. Um são os gravadores de RF (rádio frequência), aparelhinhos que “escutam” o sinal do controle remoto quando o morador aperta o botão. Como nos sistemas mais antigos o sinal é sempre o mesmo (“código fixo”), o criminoso grava esse sinal e depois o reproduz, abrindo o portão como se fosse o dono.
Outro tipo são os bloqueadores de sinal, chamados de dispositivos jammer, usados também para furto de veículos. Em vez de clonar, eles bloqueiam o sinal. O motorista aperta o controle achando que o carro trancou ou que o portão fechou, mas o jammer embaralha o sinal e impede que isso aconteça. Então, o criminoso age depois, sem precisar clonar. Como nos controles modernos a clonagem é bem mais difícil, os ladrões preferem tentar o bloqueio.
Os ladrões precisam estar perto do veículo ou do portão?
Relativamente perto, porque esses controles operam em rádio frequência de curto alcance. Normalmente, em um raio de alguns metros, às vezes até uns 20, 30 metros. Isso significa que eles costumam agir parados (perto de portões de prédios ou casas), estacionados em ruas de acesso a condomínios e, no caso dos carros, em estacionamentos de shoppings, mercados, academias etc.
Há alguma situação em que o motorista fica mais vulnerável?
Sim. Quando o motorista aciona o controle repetidas vezes, sem verificar se o portão abriu ou fechou. Quando tranca o carro à distância e vai embora sem checar se o alerta piscou, fez barulho ou se a porta realmente travou. Quando fica distraído no celular, ao entrar ou sair da garagem, sem observar o entorno. Ou seja: quanto mais o motorista faz tudo “no automático” e à distância, sem olhar, mais vulnerável fica.
Acionar o controle de longe (no meio da rua) facilita a ação dos criminosos?
Sim, porque, se você estiver saindo, não tem certeza se o portão realmente fechou. Também porque o criminoso tem mais tempo para capturar o sinal ou bloquear o fechamento sem você perceber. A recomendação é acionar o controle de uma distância que permita ver o portão (se ele abriu ou fechou), sem ficar parado na rua por muito tempo. Quando for sair, espere o portão fechar completamente antes de seguir.
O que pode ser feito para evitar a clonagem dos controles?
Há medidas tecnológicas e de comportamento. Entre as tecnológicas, usar controles com código rolante (rolling code): cada vez que você aperta o botão, o controle gera um código diferente, sincronizado com o receptor do portão — mesmo que alguém capture o sinal, ele “vence” rapidamente e não funciona de novo. Também é importante atualizar a central de comando do portão: não adianta só trocar o controle se a automação do portão ainda usa tecnologia antiga.
Entre as medidas de comportamento, é fundamental sempre confirmar visualmente se o portão da garagem abriu/fechou, se o carro realmente trancou (pisca-alerta, barulho da trava, puxar a maçaneta).
Como saber se o sinal do meu controle foi interceptado ou se há um clonador agindo por perto?
É difícil ter certeza absoluta, porque os equipamentos são silenciosos. Mas há alguns sinais de alerta. Se seu controle passa a falhar com frequência, e se vários moradores relatarem o mesmo problema, é possível que os ladrões estejam agindo na região. Ou se, depois de falhar várias vezes, volta a funcionar normalmente. Mas o melhor indicador são câmeras mostrando veículos ou pessoas estranhas paradas próximas aos portões por longos períodos, sem motivo aparente.
Como trocar um controle? É preciso comprar outro ou basta adaptar o que já tenho?
Depende do tipo de sistema que você tem. Nos sistemas mais antigos, muitas vezes é necessário comprar um novo kit (central + controles). Nos mais novos, às vezes é possível trocar apenas o controle, mantendo a central, se ela já for rolling code.
Se for um prédio ou condomínio, é preciso trocar o de todos os moradores?
Em geral, todos os moradores precisam trocar de controle, porque o protocolo de comunicação muda, e a central nova pode não aceitar os controles antigos. Normalmente, a empresa de automação substitui a central, entrega novos controles (ou cartões de acesso, tags etc.) e faz o cadastro individual, por unidade.
Se o condomínio for atualizar o sistema de portões para evitar clonagens, quais tecnologias você recomenda exigir da empresa de segurança?
Para um condomínio que quer se prevenir seriamente, é importante exigir tecnologia e procedimento, não só “um controle novo”. As principais recomendações seriam ter código rolante (rolling code) com criptografia forte, de um fabricante reconhecido, com uma central que não aceite códigos fixos simples. E também ter um sistema em que cada controle é vinculado a uma unidade ou a um morador — assim, se um controle for pedido ou roubado, pode ser bloqueado rapidamente.
Idealmente, a central deve ser capaz de registrar data e hora de abertura/fechamento do portão e qual dispositivo acionou. Alguns sistemas permitem atualização de firmware da central, o que possibilita correções de segurança ao longo do tempo.












