
A Prefeitura de São Paulo planeja implantar, às margens da Marginal Pinheiros, um complexo com arena para até 20 mil pessoas, um edifício-garagem e um grupo de escritórios ligados a pesquisa, inovação e empreendedorismo. As estruturas ocupariam uma área encostada em zona residencial: os cerca de 54 mil metros quadrados que hoje abrigam a Subprefeitura de Pinheiros, a CET, a Guarda Civil Metropolitana, a Vigilância Sanitária e a praça Victor Civita.
A arena esportiva teria pelo menos 30 mil metros quadrados, para receber entre 8 mil e 20 mil pessoas sentadas — quase o dobro da capacidade do ginásio do Ibirapuera. A garagem vertical deve ter pelo menos 6 mil metros quadrados de construção. Os prédios para empresas, ao menos 8 mil metros quadrados. A companhia ou o consórcio responsável pelo empreendimento também precisaria fazer a manutenção da praça Victor Civita.
O projeto está em fase inicial, chamada de Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse. A Prefeitura indicou a intenção de explorar o local e, nesta etapa, vai receber propostas que deem subsídios para a elaboração de um documento que preveja “implantação, operação, manutenção e exploração comercial” do espaço.
A posição da SAAP
Embora os detalhes ainda não estejam definidos, as informações disponíveis são suficientes para a SAAP colocar-se contra o projeto. Por algumas razões:
Trânsito ficaria pior: O impacto seria inevitável e atingiria uma área estritamente residencial. Isso ocorreria durante o dia, com deslocamento de trabalhadores para as futuras empresas, e seria ainda maior nos dias de eventos na arena. As ruas de Alto dos Pinheiros não têm dimensões para comportar fluxo de 8 mil ou 20 mil pessoas.
Ruas virariam estacionamento informal: A única divisão entre esse enorme complexo e as ruas residenciais seria uma avenida, a Professor Frederico Hermann Júnior. Do lado de cá da avenida, ruas não projetadas para receber muita gente se tornariam estacionamentos informais para quem quiser escapar dos preços do edifício-garagem. Isso ocorre ao redor de qualquer grande estrutura, como estádios de futebol e ginásios. Mas vias como a Carlos Rath, a Cardoso de Melo Junior e a Ernesto Nazaré — hoje já muito disputadas pelos funcionários da Prefeitura que trabalham nos órgãos municipais — ficariam intransitáveis.
Deslocamento de órgãos públicos: A sede da Subprefeitura de Pinheiros e as unidades da CET, da GCM, da Vigilância Sanitária são equipamentos públicos relevantes para a região. A Subprefeitura — por abranger um território enorme, composto por vários bairros da zona Oeste — atrai um grande número de moradores para consultas e reuniões. O que aconteceria com esses órgãos após serem “expulsos” do local atual? A Prefeitura ainda não sabe para onde iria transferi-los — o que parece ser um indicativo de que, para a administração municipal, explorar um espaço público é mais importante do que coordenar serviços fundamentais.













