Associação dos Amigos de Alto dos Pinheiros.



A SAAP e moradores de Pinheiros estão se mobilizando para transformar em parque uma área arborizada ao redor da sede administrativa da Sabesp. O engajamento já produziu frutos na Câmara Municipal: o vereador Eliseu Gabriel apresentou um projeto de lei (PL 507/2026) para desapropriar o lote, a fim de que lá seja criado o “parque Sabesp”.

O local em questão fica entre as ruas Nicolau Gagliardi, Costa Carvalho e Sumidouro, próximo ao terreno que concentra vários equipamentos públicos, como a Subprefeitura de Pinheiros, a Guarda Civil Metropolitana e unidades das Vigilâncias Ambiental, Sanitária e Epidemiológica, entre outros.

“A desapropriação desta área verde para a implantação do parque, além de garantir a infiltração das águas pluviais no solo e mitigar a problemática das enchentes, também beneficia a vegetação local, a biodiversidade e o microclima, propicia abrigo e alimento para a fauna urbana e atrai diversos polinizadores, melhora a qualidade do ar e, consequentemente, a saúde respiratória dos moradores da região”, afirma o texto de justificativa do projeto de lei.

Por que a SAAP considera importante criar o parque


São várias as razões. Entre elas, destacam-se:

  • Preservação de uma área não protegida pela legislação. Atualmente, o zoneamento do imóvel é classificado como Zona de Ocupação Especial (ZOE), categoria que permite atividades como centros de convenção, hospitais, centros esportivos e de lazer. A SAAP defende que passe a ser uma Zona Especial de Proteção Ambiental (Zepam), destinada, como sugere o nome, à preservação do patrimônio ambiental. Essa alteração é especialmente pertinente por estar em planejamento a construção, no lote vizinho, de um empreendimento com ginásio para até 20 mil pessoas e prédios de escritório — o famigerado Hub Pinheiros.
  • Presença de árvores diversas, com potencial para aprimoramento da cobertura. Um laudo obtido pela SAAP constatou, a partir de imagens aéreas, a existência tanto de árvores exóticas quanto nativas (típicas da Mata Atlântica). Há exemplares de grande porte, como tipuana, sibipiruna, flamboyant e eucalipto. A disposição das árvores é esparsa em alguns pontos.
  • Função ecológica relevante. Ainda que boa parte das espécies tenha sido plantada, o conjunto tem papel fundamental:
  1. Ajuda a reter água no solo, numa região de urbanização densa, extremamente impermeabilizada;
  2. Colabora para a regulação térmica e a melhoria da qualidade do ar;
  3. Serve de conexão com outras áreas verdes, como praça Pôr do Sol, parque Villa-Lobos e Cidade Universitária, algo essencial para pássaros e insetos polinizadores;
  4. É útil na preservação da biodiversidade urbana.
  • Garantia de conservação e eventual ampliação de áreas verdes. Muitas metrópoles brasileiras sofrem com a falta de cobertura vegetal. São Paulo está longe de ser uma exceção. Estudos da USP sugerem que a escassez de infraestrutura verde contribui para a formação de ilhas de calor e para maior ocorrência de problemas de ansiedade e de mal-estar emocional, além de graves problemas respiratórios.
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