17 de dezembro de 2018

Projeto oferece livros gratuitos em praça de Alto dos Pinheiros

“Era uma casa muito engraçada…Ninguém podia entrar nela, não.” Seu endereço, no entanto, não é a rua dos Bobos, número zero, mas a praça Conde de Barcelos, na altura do número 333 da rua Bennet, em Alto dos Pinheiros. E, ao contrário da famosa canção de Vinicius de Moraes, essa tem teto e, no lugar do nada, livros.

Estamos falando da segunda unidade do projeto “Casa dos Livros Livres”, cujo objetivo é estimular a leitura e o intercâmbio de conhecimento. A “casa” é, na verdade, uma pequena construção de madeira montada para abrigar as obras, que podem ser retiradas gratuitamente por qualquer um, a qualquer momento. A ideia é fazer com que o máximo de histórias possam circular, por isso, a iniciativa também é uma via de mão dupla: a pessoa pode pegar um livro e, se quiser, deixar outro no lugar, fazendo com que ele seja saboreado por outros leitores.

“Contos de Andersen”, de Hans Christian Andersen; “Malala, a menina que queria ir à escola”, de Adriana Carranca; “Sushi”, de Marian Keyes; e “Quem tem medo do escuro?”, de Sidney Sheldon, estão entre os títulos. Mas pode ser que você não encontre nenhum deles na casa, e sim outros, por causa do sucesso do projeto.

“Começamos nesta terça-feira (11), com 33 livros e, no final do dia, já tinham saído 22 e deixaram outros nove”, empolga-se Patsy Calicchio, moradora do bairro e responsável por essa segunda unidade.

Ainda que tenha visto ideias iguais no exterior, Patsy conta que foi uma primeira versão, criada em fevereiro na praça Japubá, também em Alto dos Pinheiros, que a incentivou a colocar outra na Conde de Barcelos – “Eu dei continuidade ao projeto da Emma”, explica.

Emma, no caso, é a Bovary, personagem-título da mais famosa obra do escritor francês Gustave Flaubert (“Madame Bovary”). Trata-se, claro, de um pseudônimo adotado por uma moradora que prefere não se identificar – mas que ama livros.

“Meu marido é francês e, em uma de nossas viagens para a França, notamos que quase em toda cidade, independentemente do tamanho, havia um ponto de compartilhamento de livros. Tive muita vontade de fazer algo semelhante na praça onde moro. A casinha que meu próprio marido construiu tem um viés ecológico, já que foi feita unicamente com materiais coletados em caçambas e reciclados”, conta Emma, em entrevista pelo WhatsApp.

Patsy ressalta a importância que o projeto tem no incentivo à leitura: “Estou fazendo um trabalho de triagem e organização para que a casinha fique com um repertório interessante. Estou também etiquetando as obras para gerar uma conscientização sobre o ‘livro livre’, independentemente de ele ser devolvido ou passado adiante. Insisto na ‘venda proibida’, mas sabemos que esse risco existe”.

Emma descreve-se como uma apaixonada por literatura: “Sou tradutora, intérprete e professora de idiomas. Mas, além de ler profissionalmente, o faço por prazer”. Ela vê agora sua ideia dar os primeiros frutos, pois, segundo diz, “algumas pessoas já haviam me contatado em outras ocasiões, mas não saiu do papel. A Patsy foi realmente a primeira e única pessoa até agora que concretizou isso”.

Então, se você gosta de ler, procure uma das duas “Casas dos Livros Livres”! Ou, por que não, faça você mesmo uma própria para espalhar por aí o gosto pela leitura!

 

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