
O movimento “Parque não é Shopping” convocou para o próximo domingo (30 de agosto) a manifestação “Domingo no Parque”, em defesa dos parques urbanos de São Paulo e contra os abusos que vêm sendo cometidos pelas empresas concessionárias, em especial no Villa-Lobos. A SAAP apoia essa iniciativa.
A SAAP acompanhou de perto a criação dos parques Villa-Lobos e Cândido Portinari a partir dos anos 1980 e ocupa uma cadeira titular em seus conselhos desde que estes foram estabelecidos, em 2004. A associação tem exercido um importante papel de fiscalização, denúncia e defesa dos interesses da população, atuando em prol da manutenção dos espaços naturalizados nos parques.
Desde que a concessão entrou em vigor, em agosto de 2022, a SAAP tem solicitado limites da exploração comercial excessiva e cobrado transparência por parte da concessionária Reserva Parques e dos órgãos governamentais responsáveis pelas aprovações nos equipamentos e pela fiscalização do contrato.
Infelizmente, nossos reiterados esforços não surtiram o efeito esperado para coibir excessos como:
- Construção de novos equipamentos, que passaram a ser áreas dos parques exploradas por terceiros: Orla Total Pass, Família no Parque, Espaço Heineken e Arena BR.
- Eventos pagos, de montagem complexa, que ocupam grandes áreas por mais de dois meses, para nove dias de evento: Taste; SP Gastronomia.
- Evento somente noturno e pago que interdita área para uso público por seis meses.

Por esse motivo, a SAAP protocolou uma representação junto ao Ministério Público na área de Meio Ambiente, em 14 de maio de 2025. Em função da morosidade dessa primeira iniciativa, a associação ingressou com nova representação, dessa vez perante a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social. Esta última acatou a alegação de desvio de finalidade pública dos bens concedidos e instaurou o Inquérito Civil nº 0695.0000352/2026.
A SAAP acredita que, mesmo sob o regime de concessão, os parques urbanos são obrigados a oferecer à população sobretudo lazer gratuito, oportunidade para a prática de atividades físicas, além de ambientes de sossego e contemplação. Seu papel fundamental na preservação ambiental, incluindo a fauna e a flora nativas, deve ser respeitado de forma irrestrita.












