8 de junho de 2018

“Quanto mais limpamos, mais aparece”, diz nova prefeita regional sobre lixo em ruas de Alto dos Pinheiros

A advogada Juliana Ribeiro está à frente da Prefeitura Regional de Pinheiros há dois meses. Apesar do pouco tempo, já percebeu que terá de lidar com um problema crônico: o descarte irregular de lixo em vias públicas da região.

Juliana revela que, em abril, a prefeitura retirou das ruas 130 toneladas de resíduos a mais do que no mês anterior, e acrescenta: “Não vou me assustar se houver aumentado em maio”.

Na segunda parte da entrevista concedida ao site da SAAP, ela fala sobre os planos da prefeitura regional para enfrentar a questão, especialmente, em Alto dos Pinheiros, onde o lixo verde está entre as maiores preocupações.

Confira!

SAAP — Como está o problema do descarte irregular de lixo em Alto dos Pinheiros?

Juliana Ribeiro — Quanto mais limpamos, mais aparece. É impressionante o crescimento. A questão do lixo me preocupa muito.

SAAP — Houve um aumento do descarte irregular?

Nós medimos. Tivemos, no mês de março, quase 200 toneladas. No mês de abril, 330 toneladas. Não vou me assustar se houver aumentado em maio —ainda não tivemos a medição final. Isso está acontecendo em todos os pontos. Na região de Alto dos Pinheiros, um dos maiores problemas é o lixo verde. As pessoas fazem limpeza de suas casas e descartam na praça, no canteiro na frente da residência. Fizemos uma campanha educativa para lembrar o que é possível fazer e os meios de descarte do lixo. Se limpa seu jardim, pode deixar até seis sacos fechados com lixo verde na sua porta, o caminhão recolhe. Fez uma limpeza maior? Leve até um Ecoponto. A empresa que faz a limpeza para nós tem levado um material de conscientização nas casas de Alto dos Pinheiros. A SAAP também tem ajudado nessa divulgação, mas é um problema crescente na cidade.

SAAP — É difícil flagrar a irregularidade?

Para ser considerado crime tem de ser pego em flagrante. Isso dificulta. Mas se você filmou, tem alguma coisa que possa ajudar, conseguimos levar isso para as autoridades apurarem, pois é crime.

SAAP —Vocês já chegaram a registrar flagrantes?

Não. Os caminhões passam e os ocupantes fazem o descarte quase com o veículo andando. Sabem que estão cometendo um crime. Mas tem o lado da população. Se você contratou um jardineiro para cuidar do seu jardim, cabe a você a responsabilidade de informá-lo sobre o descarte. Em Alto dos Pinheiros, os moradores têm de se responsabilizar mais. A folhagem que fica na rua veio da casa de alguém. Se cada um olhar para seu lixo verde, fará uma grande diferença para nossa região.

SAAP — Quais são as ações e iniciativas que vocês pensam em relação ao problema?

Pedimos apoio das associações de bairro. A SAAP já está nos ajudando. Lançamos um material educativo para conscientizar por outros meios. E pretendemos fazer novamente o projeto Guardiões, pois é bem focado na limpeza das vias públicas. Discutimos algumas alternativas em relação ao lixo verde para a região de Alto dos Pinheiros. Por exemplo, adiantaria criar um ponto específico para o descarte? O morador, às vezes, deixa na praça, porque o Ecoponto é distante. Estamos estudando para que não vire um ponto viciado. A pessoa vê um local de descarte de lixo verde e vai lá e joga entulho. É um receio. Mas é uma das alternativas que estamos discutindo internamente e com os moradores.

SAAP — A prefeitura regional deve receber diariamente centenas de queixas. Como lidar com esse volume de demandas?

Essa é uma das partes mais difíceis. Temos muitos canais e uma escassez de pessoas. É uma realidade da gestão. Isso dispersa muito a atenção de técnicos que deveriam estar focados na execução de serviços, mas têm de responder a uma série de demandas que vem de muitas frentes. Temos tentado reforçar o 156 [SP156, canal de solicitação de serviços para a Prefeitura de São Paulo]. Sim, o WhatsApp ajuda a medir o calor e a importância das coisas, mas não podemos abandonar o meio oficial, que ajuda a avaliar todos os serviços da prefeitura. Entendo o morador. O problema o aflige e é preciso uma resposta rápida. É o lixo na frente da casa, o bar que incomoda, a guia que não está bem feita. Mas quando o 156 começar a dar retorno, vai ser muito importante para ter uma gestão melhor. Isso nos indica números, conseguimos criar mapas de calor que nos dizem onde temos de atuar primeiro. E, depois, com esse sistema, não será preciso parar a execução de um serviço importante para responder.

SAAP — Quais seriam canais não oficiais, informais?

Juliana Ribeiro: Por exemplo, mandar um e-mail. Respondemos, mas interfere no fluxo normal de trabalho e não entra nas estatísticas. As associações já fazem isso, pegam a demanda dos moradores e nos trazem com registro e protocolo. As pessoas estão trazendo os problemas, tentamos resolver, mas não dá para atender tudo, é uma área muito grande. Mas o lixo é um caso em que, se for enviada foto, atendemos na hora. Preciso saber onde está, não vou esperar o registro do 156. Temos de trabalhar muito na transparência e no acesso à população que quer assumir sua responsabilidade na comunidade.

 

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